Vida e morte de meu passado
Sim, sim, para viver temos que matar um leão por dia, morder o pão que o demo gospe com vermes, pisar em alguns poucos infelizes, mas o pior é aguentar mentiras e pior ainda são os olhares mentirosos, são os olhares de falso desejo, os olhares de falso amor, os olhares de falsa amizade, de falsa vida e de falsa valsa, hoje não quero ser entendido, mas algo eu quero que todos entendam, a vida fede, fede a esterco, fede a cadáver, fede a lixo... (Suspiro cansado, mãos tremulas, pensamentos suicidas e pensamentos cristãos. Um corpo que treme e um espirito que treme, a vida já não deve fazer falta, o olho se fecha, as mãos tremulas agora têm espasmos, o amor dentro dele tem espasmos, e só. Dois minutos passam, agora três, e ele pousa as mãos em seu peito que sobe e desce num frenesi de medo, de cólera, de paixão e ódio, imagens mentais se misturam, com corpos sedentos, dentes cravando pescoços, respirações, sons, cheiros, o mato espremido em suas mãos que repousam, já não estão tremulas, a luz diminui, o quarto se fecha em quatro paredes brancas, mas no escuro todo gato é pardo, por isso, a escuridão da noite toma o quarto, toma a alma, o tempo está terminando, a respiração ainda colérica diminui, os suspiros cansados se tornam agonizações, e uma dor grande lhe aperta o peito. Formigamento. Visões de caveiras ao seu redor. A vida apodrece, a pessoa se deteriora, e de fedida se torna podre e de podre morta e de morta podre. Mutação e fim.)
Por Juan_ [ www.anemoscopio.blogspot.com ]
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