quarta-feira, setembro 07, 2005

Vida e morte de meu passado

Sim, sim, para viver temos que matar um leão por dia, morder o pão que o demo gospe com vermes, pisar em alguns poucos infelizes, mas o pior é aguentar mentiras e pior ainda são os olhares mentirosos, são os olhares de falso desejo, os olhares de falso amor, os olhares de falsa amizade, de falsa vida e de falsa valsa, hoje não quero ser entendido, mas algo eu quero que todos entendam, a vida fede, fede a esterco, fede a cadáver, fede a lixo... (Suspiro cansado, mãos tremulas, pensamentos suicidas e pensamentos cristãos. Um corpo que treme e um espirito que treme, a vida já não deve fazer falta, o olho se fecha, as mãos tremulas agora têm espasmos, o amor dentro dele tem espasmos, e só. Dois minutos passam, agora três, e ele pousa as mãos em seu peito que sobe e desce num frenesi de medo, de cólera, de paixão e ódio, imagens mentais se misturam, com corpos sedentos, dentes cravando pescoços, respirações, sons, cheiros, o mato espremido em suas mãos que repousam, já não estão tremulas, a luz diminui, o quarto se fecha em quatro paredes brancas, mas no escuro todo gato é pardo, por isso, a escuridão da noite toma o quarto, toma a alma, o tempo está terminando, a respiração ainda colérica diminui, os suspiros cansados se tornam agonizações, e uma dor grande lhe aperta o peito. Formigamento. Visões de caveiras ao seu redor. A vida apodrece, a pessoa se deteriora, e de fedida se torna podre e de podre morta e de morta podre. Mutação e fim.)


Por Juan_ [ www.anemoscopio.blogspot.com ]

segunda-feira, agosto 08, 2005

Ao mar

Por querer algo intenso, nem que fosse uma dor... Despeço-me do vento que brinca de puxar o meu vestido, sopra flores em meus lábios e, como diria o Caderno de sonhos, "faz amor com meus cabelos". Aguardarei a nova chuva, seguirei do rio ao mar. Eu e ele tão sós até que invado esse mundo em completa confusão. Pressione toda a vida em mim, me absorva em seus desejos e acredite que deixo-me levar... Não parto com esperanças, parto logo pra recomeçar...


(Desculpem-me por já voltar com algo repetido... mas enfim... bom recomeço, quatrelementos!)

terça-feira, maio 31, 2005

Um quarto negro com uma luminosidade cinza. Vinda de fora, a luz ilumina a janela.
A inquietação de quem tem que acordar cedo no próximo dia, mas não consegue dormir. É o calor do ambiente, da pele, do interior. Na cabeça, o amor contido... não, amor nunca é contido, "posto que é chama". Na cabeça, no corpo, no ambiente e em tudo, o amor com vontade de sentir. Maldita saudade que faz sempre dias normais e até felizes não deixarem de ser melancólicos. Hoje, a menina vive o irreal em seu cotidiano por se distanciar em um sonho. Tão envolvida, num barco que a leva ao lugar que uma certa pessoa está. Onde esta pessoa estiver, é lá que ela vai. E ao chegar, ela quebrará seu barco. E ela finalmente irá viver tudo o que lhe é oferecido, em sua ilha que é todo o seu objeto de vaidade. E em seu desejo tão incerto como o fogo.
O ar lhe expande, mas ela recusa sensações dóceis. Gosta do que lhe pressiona e submerge, mas essa é a função da água, que lhe apaga. A solidez da terra não existe para ela.
Mas o que predomina é a essência de seu ser. O lema que não se escolhe, o lema de ser. Seus desejos são impregnados na alma, já não tem mais querer e se conter.

E ela ainda irá descobrir que ilusão é mais do que simplesmente algo que se pode criar.

terça-feira, maio 10, 2005

Três motivos: são divertidos, fáceis e aparentemente descartáveis. Demorei 28 anos pra entender isso na prática. É claro, essa foi a lição que aprendi depois da aula sobre monogamia – autoconhecimento ao tédio.

Eu sei que tudo depende de conceitos. Amor e realidade, aí vem a busca. Solidão às vezes é um pouco de saudade... Não se arrepender dos atos é prático, mas vira burrice se você sempre esquece o que poderia aprender com os erros.

Tenho raiva do dia que tudo parece ínfimo e apenas conseqüências de se depender de alguém.
(Ainda guardo o peso de rasgar certas cartas de amor. Eu não rasguei sentimentos, é que elas tinham um cheiro...)

Eu queria que minha vida seguisse uma linha e uma lógica de pensamentos ou sensações. É broxante saber que, no fundo, essa melancolia vem dos hormônios. Natureza feminina e TPM é um saco. Se ao menos eu soubesse a posição que me deixou com essas dores eu poderia procurar uma solução específica... Hormônios, hormônios, bah!

domingo, abril 17, 2005

Elementos

Via com meus proprios olhos
Ouvia com meus proprios ouvidos

Mas nao sentia...
Nao, nao, nao

Visao, paladar

Comecei a caminhar
Estava perdido em mim mesmo
Nao consiguia me achar

"O que eh isto?
Que som eh este?"

Cachoeira!
Agua!

Sim,
Parecia me dizer algo,
Um poema,
Uma prosa,
Me contou vidas,
Historias, estorias...

Uma briza leve
O Vento...
Toca meus cabelos
Parece brincar comigo
Contar piadas
Ateh viajar na maionese! (risadas)

Escorregao!
"Droga..."
Do chao nao passo,
Sustentado por essa forca tremenda
Parece que nunca me deixarah disperso
Sim, Terra...

Frio...
Acendi uma fogueira
Deixei que o
Fogo
Me trouxesse conforto,
Seguranca,
Um carinho quase materno

Hoje,
Tudo,
Me lembrou
Da vida,
Da feh,
Do meu amor...

Me lembrou

De tudo!

Poesia de Carlos Eduardo Vieira (ou simplesmente nosso querido amigo Cadu ^^), retirada do blog Prologo Atrasado