Sábado, Maio 21, 2005

Alguma Coisa

Nem era assim uma coisa espetacular: era uma pontinha de nada. Menor que o menor grão de areia da praia - minúsculo por assim dizer. Passava desapercebida, esquecida por quase todo mundo, era assim. E se sentia assim, mesmo ela sendo uma das coisas mais reluzentes no meio daquele monte de coisa. Ela se autobatizara de Coisa, ainda por cima. E era dessas que se monsprezava porque outras Coisas, maiores, mais imponentes, se destacavam. Ah, ele queria ser a que destacava, mas se achava uma coisinha pequenininha, escondida de tudo, de todas outras coisas... Foi aí que um homem, daqueles especialistas em catar coisinhas pequenininhas reluzentes, achou-a escondida, ali, no fundo, na frente de tantas outras Coisas. E achou por bem adotar a Coisa e tratá-la, cuidar como se fosse um bebezinho. Cultivou tanto essa coisa que ela ficou grávida, e dela nasceram tantas outras coisas tão grandes, tão lindas, tão belas... que a Coisa finalmente percebeu seu papel e qual a sua importância.

A Coisa se rebatizou, mudou seu nome para Idéia.